Uma coisa de beleza

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Uma coisa de beleza é uma alegria perene:
Sua amabilidade cresce; nunca
Sumirá no nada; mas ainda
Manterá um aposento silencioso para nós, e um sono
Repleto de doces sonhos, e saúde, e suave alento.

Por tanto, em cada manhã, tecemos
Uma guirlanda de flores para nos prender à terra,
Apesar da indiferença, inumana escassez,
Naturezas nobres, dias obscuros,
Hábitos insalubres e tenebrosos
Feita para a nossa busca: sim, apesar de tudo,
Uma forma de beleza afasta a mortalha
De nossos espíritos enegrecidos. Assim é o sol, a lua,
Árvores velhas, e jovens, brotando uma dádiva de sombra
Para simples ovelhas; e assim são os narcisos
Com o mundo verde em que vivem; e riachos límpidos
Que para si mesmos fazem refresco
Contra a estação quente; a clareira em meia-floresta
Rica com o aspergido de belas flores de rosa-almíscar:
E assim também é o grandeur das perdições
Que imaginamos para os poderosos já mortos;
Todos os adoráveis contos que ouvimos e lemos:
Uma inexaurível fonte de sumo imortal,
Transbordando do Céu sobre nós.

Nem meramente sentimos tais essências
Por uma curta hora; não, assim como as árvores
Que sussurram ao redor de um templo logo tornam-se
Tão queridas como parte do templo, também a lua,
A poesia da paixão, glórias infinitas,
Nos assombram até que se tornam uma luz alegre
Para nossas almas, e nos amarram tão bem
Que, haja brilho ou escuridão no céu,
Sempre precisamos conosco, se não, morremos.

Portanto, é com alegria plena que eu
Contarei a história de Endymion.
A própria música em seu nome penetrou
O meu ser, e cada cena agradável
Cresce nova diante de mim, como o verde
De nossos vales: assim começarei
Agora enquanto não ouço a balbúrdia da cidade;
Agora enquanto os botões jovens são novos,
E correm em labirintos de cores das mais pueris
Em velhas florestas; enquanto o salgueiro espalha
Seu delicado âmbar; e os cilindros
Trazem para casa ainda mais leite. E, assim como o ano
Cresce veludoso com caules suculentos, eu tranquilamente guiarei
Meu pequeno barco, por muitas horas de silêncio,
Com riachos que, logo aprofundando-se, tornam-se refúgios.
Muitos e muitos versos espero escrever
Diante das margaridas, de bordas vermelhas e brancas,
Escondido em meio a ervas altas; e aqui ainda as abelhas
Estão a zunir entre os trevos e leguminosas,
Devo estar me aproximando do meio da minha estória.
Ó! que o inverno, seco e destituído,
Veja-a só meio completa: mas deixai que o outono corajoso,
Com um toque universal de sóbrio dourado
Esteja me englobando quando eu a terminar!
Mas agora, aventureiro, eu envio
Meu pensamento escudeiro em uma selva:
Que seu trompete soe, e rapidamente vista
Meu caminho incerto de verde, e que eu possa seguir
Facilmente em frente, através das flores e ervas.

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– John Keats

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tradução –A thing of beauty
Published in: on 12/05/2011 at 13:29  Comments (1)  

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