Ode à Melancolia

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I

Não, não, não irás ao Lete, nem misturarás
um acônito, bem enraizado, como poderoso vinho de Proserpina
Não farás teu rosário de bolotas,
nem deixarás o besouro, nem a esfinge da morte ser
Sua pesarosa psique, nem a felpuda coruja
Uma parceira nos mistérios de seus infortúnios
Pois sombra à sombra tornar-se-á demasiado indolente
E afogará a grande angústia da alma

II
Mas quando a melancolia cair
Súbita como uma nuvem em pranto no céu
Que cabisbaixas flores vem nutrir
E esconder a verde colina em abrilino véu;
Sacia-te então em uma rosa matinal,
Ou em uma arco-íris da duna salina
Ou na riqueza das abauladas peônias;
Ou se tua amante temível fúria mostrar
Envolva-lhe as macias mãos e deixe-a enfurecer-se
E olhes bem fundo , bem fundo em seus olhos exóticos

III
Ela habita em Beleza — Beleza que deve morrer;
E júbilo, cujas mãos traz sempre sobre os lábios
Dando adeus e um tormentoso prazer terminal,
Transformando em veneno, enquantoa abelha sorve;
Sim, no mesmo templo do deleite
A velada melancolia tem seu soberano santuário,
Embora visto que ninguém a salvou, cuja língua vigorosa
Pode explodir as uvas da Alegria contra seu pálato;
Sua alma deverá provar da tristeza de seu poder
E entre seus obnubilados troféus se erguer.

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– John Keats

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tradução por “Leon de Castela”
Published in: on 14/06/2011 at 21:37  Deixe um comentário  

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